sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Novembro | #semanaemrevista 41 a 48

O ano de 1980 preparava-se para chegar ao fim e mesmo no centro do mês de novembro esperava-se que eu nascesse. Tal não aconteceu. Preferi obrigar a minha mãe a uma gravidez de 10 meses e nascer no mês seguinte, um dos meus preferidos.

Logo aqui começa a minha complexa relação com este mês de novembro. Se é verdade que muitas coisas boas acontecem por esta altura, também as piores tendem a coincidir com este mês, conhecido pelo seu número 11 (detesto!) ou, noutros tempos, pelo número 9 (blac!). Sim... sem fundamentalismos, tenho as minhas superstições.

O blog esteve em sono profundo durante um mês. No entanto, tanta, tanta coisa aconteceu. E a vida deu as suas voltas...

O dia em que ganhei
o meu regresso à escola pública. Foi em 2012 que ouvi pela última vez o toque da campainha. Não por vontade própria, mas sim porque o sistema assim o quis. No ano seguinte, abraçava um novo projeto e agora era eu que, por vontade própria, voltava as costas ao ensino público. Previa regressar em 2016. Mas 2016 chegou e eu decidi continuar na formação profissional, voltando-lhe novamente as costas.
Foi quase de uma forma vertiginosa que me vi colocada, neste início letivo (tardio) de 2017, numa escola do ensino público. Confesso que fui adiando este regresso, por comodismo e por receio do que lá poderia encontrar. Mas algum dia tinha de ser: não por obrigação, antes por vocação. Tive a sorte de ser acolhida de forma humana e atenciosa, mas à medida que vou (re)descobrindo o sistema alguns dos meus receios começam a confirmar-se: os professores são meros números numa máquina que bem poderia servir os jogos da Santa Casa e esta escola não é para novos. 
...foi o dia em que perdi
a Lucky. A vida tem esta forma arbitrária de agir: por muito que tentemos não falhar, as falhas acontecem. Inesperadas e devastadoras.
Chegou pequenina, a morrer de fome. Partiu pequenina, mas de coração e estômago cheios. Ainda que por pouco tempo, foi feliz.

Photo: Instagram @myjoyluckysnow

O mês das despedidas
Ser coordenadora de curso ou diretora de turma é ser mãe em part-time. Não de um, mas de vinte (ou mais). É ganhar cabelos brancos, pensar em desistir algumas vezes, mas estar de olho em todos, não vá algum perder-se.
Foi no início do mês que vi os meus técnicos de informática, os "filhos" mais velhos, concluírem esta etapa de dois anos e meio. Muitos voaram para longe, alguns ficaram por perto, até ao dia em que voarão também para longe. Mas todos concluíram e todos cresceram. E eu estive lá para ver. Agora é aguardar a cerimónia de entrega de diplomas para o último abraço.

Photo: No início desta aventura... #TIIGR0915 

...e dos reencontros
Foi um mês de constante procura de equilíbrio (que ainda não terminou). E entre tantas corridas, acabei por voltar a encontrar pessoas que fizeram parte da minha vida noutras vidas. Pessoas de aprendizagem e pessoas do coração. Como se, depois de tantos anos, o universo decidisse que era altura de nos reencontrarmos. E de fazermos novas aprendizagens.

Photo: Pinterest

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Fashion Talks no Lisboa Design Show - Parte 1

Faz agora um ano que visitei a FIL e tive a oportunidade de conhecer o Lisboa Design Show. Não sendo este o meu alvo de visita naquela altura, pois desconhecia por completo a existência desta feira, o acaso foi muito feliz. Era o espaço por excelência onde jovens novos designers e criadores, instituições de ensino, marcas emergentes e startups se reuniam para apresentar o seu trabalho em várias áreas. Para além de ter ficado a conhecer o que se andava a fazer por Portugal, fiquei com aquela sensação de estar a testemunhar o início de grandes nomes no futuro.

Por isso, este ano, quando recebi o convite para a 8ª edição do Lisboa Design Show fiquei bastante entusiasmada. A oportunidade de conhecer novos projetos, novas ideias, gente com vontade de ir mais além e produzir com a etiqueta "Made in Portugal". Ou o início de grandes sonhos.

Lisboa

Infelizmente, a minha agenda não me permitiu ir a todos os eventos [fica sempre melhor do que "como tinha de ir trabalhar"...], mas ainda assim marquei presença nas Fashion Talks e nos Pitchs. E valeu a pena...

Fashion Talks (2ª edição)

Foi logo no primeiro dia do Lisboa Design Show que a conversa se fez sobre Moda. E quem pensa que o assunto se resume a novas tendências está muito enganado...

Começámos em grande com o projeto social Dress a Girl Around the World, uma ONG americana que chega a Portugal em maio de 2016, pelo grande coração de Vanessa Campos. O projeto é simples: criar vestidos para doar a meninas de países carentes, como forma de lhes oferecer um pouco mais dignidade e proteção. Adorei conhecer este projeto e, sem dúvida, não poderíamos ter começado melhor estas conversas de Moda. Visitem a página do projeto e, quem sabe, não existirão por aí mãos de ouro na costura que possam vir a ser uma ajuda preciosa...
Lisboa

Em seguida, foi a vez da Rita Completo, que saltou da Química para a Consultoria de Imagem, e nos deu algumas dicas sobre a "criação e gestão de um guarda-roupa low-cost". De facto, embora tenha sido apenas um cheirinho, há muito que se diga no que toca à combinação de trapinhos, das cores dos trapinhos, dos trapinhos com os acessórios, com os óculos, com o calçado... Enfim, fiquei com a sensação de que, por trás de um look invejável, está toda uma equação de 7º grau com noções de geometria descritiva e da física quântica! Uma frase da Rita que me ficou, com a qual me identifiquei e que, para já, vou continuar a fazer dela filosofia de vida: "Na Moda não há regras!".
Lisboa
Como todos sabemos, muher que é mulher não vive só de trapinhos. Há toda uma logística no que toca à nossa imagem. E a maquilhagem é um ponto essencial. Aliás, eu admiro quem tem a destreza, precisão e capacidade de fazer grandes transformações só com maquilhagem. Olho sempre para estas pessoas como catedráticas do mundo das artes ou talentos naturais como Picasso ou Salvador Dalí. Foi neste contexto que conhecemos a Jac Lin do blog FancyJasmine, que nos presenteou com uma amostra do seu trabalho ao vivo. Enquanto maquilhava a modelo (lindíssima ao natural, o que me pareceu um bocadinho de batota...), foi dando algumas dicas sobre produtos, materiais e técnicas. Quase fiquei convencida de que era capaz daquilo tudo, não fosse a parte do eyeliner a lembrar-me a minha habilidade em apenas conseguir desenhar olhos de panda...o que, na verdade, só dá jeito no Carnaval...
Lisboa
E porque a Moda não é um exclusivo do público feminino, chegou-nos o Renan Gomes para nos falar sobre a moda masculina. Pois é, também os homens têm de ter alguns truques na manga para estarem au point por esse mundo fora. Ou pensam que os Brad Pitts e os George Clooneys que por aí andam a lançar charme não têm a coisa bem estudada?! Ah, pois é... O Renan é autor do Estilo Renan e um dos criadores da plataforma Portuguese Bloggers e um bom contacto para quem pensa recorrer a serviços de consultoria de imagem... no masculino.
Lisboa
Para terminar em grande como se começou, a Cláudia Silva fez o fecho desta edição das Fashion Talks com um tema sensível, mas importante: "A Beleza cabe em todos os tamanhos e formas". Não é uma pergunta, mas sim uma afirmação. E foi com este mote que se falou sobre magrinhas e gordinhas, sobre tamanhos que a fast fashion produz, sobre preconceitos e sobre auto-estima. Mais uma vez, a ideia é não haver regras, embora saibamos que há uma pressão da sociedade em impor essas regras, que aniquilam as mulheres plus size [diz que fica melhor do que "gordas"]. Este é, sem dúvida, um tema que dá pano para mangas e deve ser tratado com algum cuidado, para não se cair no erro de passar a imagem negativa para o outro lado, o das "magrinhas". Com o projeto Mulher XL, a Cláudia e a Leilane Ferreira aproximam a moda plus size às mulheres que tanto a procuram, numa perspetiva de valorização pessoal que achei fantástica.

Lisboa

Gostei bastante da edição das Fashion Talks deste ano. Foram, sem dúvida, algumas horas bem passadas. Como é óbvio, não posso deixar de agradecer à Felizarda do blog Madame Moda pelo convite e pela organização.

E os Pitchs, perguntam vocês?! Uma experiência diferente, mas igualmente enriquecedora, de que vos vou falar em breve...

sábado, 21 de outubro de 2017

Pontapé na Língua #3

Viver fora da nossa terra de origem não é fácil e a adaptação ao país que nos acolhe leva tempo. Há todo um conjunto de características que fazem parte da identidade nacional e precisamos de as conhecer, compreender e, muitas vezes, adotar. A língua é, sem dúvida, um dos elementos essenciais dessa identidade. Como uma espécie de GPS que tem a capacidade de nos orientar. Daí ser um bem de primeira necessidade a adquirir por parte de quem vem de fora, especialmente para ficar.

Parabéns ao LIDL pelos seus 20 anos em terras lusas! São muitos anos de contacto com a nossa cultura e os nossos hábitos. São muitos anos de comunicação em língua portuguesa. Ou, pelo menos, assim se esperava, depois de 20 anos...
Língua
Imagem de e-mail promocional enviado hoje
O vale parece-me fantástico, mas com duas décadas em cima ainda não saberem que aquele "à" se escreve com "h" é de lamentar.

Se quem trata da comunicação do LIDL não tem a língua portuguesa como língua materna, talvez devesse aprender de forma mais profissional ou procurar ajuda em palavras e construções mais "difíceis" (existem vários livros no mercado para o efeito, para não falar dos muitos profissionais disponíveis).

Se quem trata deste tipo de comunicação é português, então o problema é bem mais grave. E certamente todos os profissionais da educação têm a responsabilidade de repensar o seu trabalho. Do ensino básico ao universitário, da Língua Portuguesa à Educação Física.

Não sei como funciona o departamento de comunicação do LIDL, mas julgo que erros destes só desconsideram o consumidor português e a sua identidade. É que, ainda por cima, é daqueles erros onde não colam as desculpas da "gralha" ou do "corretor automático"...

Como atenuante, vale o acento estar correto. Pelo menos, não há nenhuma promoção 2 em 1 no que toca a pontapés na língua!

sábado, 14 de outubro de 2017

Vamos às Compras?! #18

Quem disse que o amarelo tinha de ficar guardado no Verão?!
Nem só de castanho se faz um Outono. Que, convenhamos, está um bocadinho atrasado...



(clica nas imagens para mais detalhes)

| Mala THE CHANGING FACTOR | Blusa DUARTE | Caderno SMYTHSON |
| Botins PROF | Brincos SHE |

domingo, 8 de outubro de 2017

A Vida Acontece | #semanaemrevista 37 a 40

Acho que não há melhor forma de caracterizar as últimas semanas... Ora vejamos:

Num fim de semana, algures pelo meio de setembro, arrastei a família para um evento organizado pela academia onde trabalho. Depois disso, talvez um passeiozinho ali perto. Este era o plano.

| De Lisboa para Hollywood |

De facto, fomos dar um passeiozinho... ao Chiado, em Lisboa. Até aqui tudo bem, até porque é algo que fazemos com alguma frequência. Mas quando dei conta já estávamos no Teatro da Trindade a comprar bilhetes para a peça À Boleia para Hollywood, às 21h. Por isso, como devem calcular, o passeio foi longo e o final do dia um pequeno desastre! Isto porque, e é com muita vergonha que vou confessar isto publicamente,... [som de fundo sinistro]... adormeci no teatro! [gritos de escândalo]
E não, a culpa não foi da peça. Gostei da história e adorei a interpretação dos atores. O João Lagarto e a Sofia de Portugal são aqueles que já não surpreendem, pois estão sempre à altura deste tipo de desafios. Porém, a Cláudia Vieira nunca a tinha visto em registo "atriz de teatro" (e não! quem está para a TV não tem necessariamente de estar para o teatro ou cinema de igual forma, e vice-versa!). Gosto dela como atriz de novelas, não gosto de a ver como apresentadora e agora no teatro foi uma surpresa... bastante agradável! Neste momento, esta é a minha Cláudia Vieira preferida: a atriz de palco. Por isso, sem qualquer desprimor para a peça, acabei por adormecer algumas vezes por puro cansaço. Uma vergonha, eu sei, mas já devia saber que eventos a esta hora, quando temos 18 anos (x2) e horários de trabalho a iniciar de madrugada, são muito arriscados.

Vida
No Teatro da Trindade (um dos meus preferidos) - vale a pena!
Este fim de semana juntou-se ao feriado da República e ganhei quatro dias de descanso. Entre dormir e descansar, na agenda apenas constava um convite para almoçar em Sesimbra, um convite para uma gravação (novidades em breve...) e um evento de trabalho. De resto, tinha todo o tempo do mundo , o que não podia ter vindo em melhor altura, pois este era o fim de semana da ModaLisboa. E, pela primeira vez, os "pobres" poderiam assistir a alguns desfiles, por isso o Parque Eduardo VII era o destino previsto para estes dias. Ou, pelo menos, este era o plano.

| Nem todas as estradas dão para as passerelles |

Estava de saída para ir buscar a loira mais nova à escola, com a ideia de aproveitar o resto da tarde para um "dolce fare shopping". Recebo um anúncio sobre uma ninhada de labradores que estavam a dar. Visto que andávamos com a ideia de aumentar a família de quatro patas, decidi ligar para saber informações. Já só havia um macho preto, com 2 meses e pouco, desparasitado, vacinas em dia, livrinho do veterinário e tudo direitinho. Combinei ir vê-lo nessa mesma tarde e, assim que apanhei a miúda na escola, fiz-me à estrada. Mal sabia eu que ainda ia fazer uns quantos quilómetros até ao fim do dia...
E o que encontrei foi de partir o coração: um cachorro bebé cadavérico, sem livro, sem vacinas, no meio de um ambiente que nem para os humanos é saudável. Era o último. Não quis entrar em pormenores, nem questionar fosse o que fosse. Infelizmente, esta realidade não era nova para mim e eu sabia que o instinto era a melhor arma. Trouxe-o de imediato e fiz-me novamente à estrada. A primeira paragem foi na Elcadi para comprar uma cama e ração - a equipa da loja, como sempre, foi bastante atenciosa e deu-nos uma orientação inicial muito importante. De seguida, rumei para Vendas Novas, onde tivemos o apoio espetacular da equipa da Optivet. Foi aqui que fizemos a última descoberta: era uma menina! Foi desparasitada, vacinada e, agora sim, tem um livrinho de saúde com o seu nome: Lucky.
No sábado, o estado de saúde foi preocupante, pois não comia, não bebia e a diarreia era constante. Mais uma vez, socorri-me da Dra. Cristina, que me orientou. Ao longo do dia, o cenário foi melhorando, a fome voltou e as forças também. Agora é juntar à comida um pouco de dedicação e amor. E nisso, a Joy também tem tido um papel espetacular como irmã mais velha, sempre atenta e paciente.

Ainda não foi desta que fui à ModaLisboa, mas a família cresceu e o coração está cheio.

Vida
In Love <3
Durante a semana, alimentação regrada e, quando chegasse a casa, ténis e pés ao caminho para uma caminhada (ou corrida, se conseguisse). Este era o plano.

| Contrariada, mas ainda não desisti |

Não é que tenha fugido muito ao plano, mas nem sempre as coisas correram como estava previsto. No que toca a alimentação, não fui muito indisciplinada: à exceção dos aniversários e das oferendas que alguns (bons) formandos fizeram, e que implicaram produtos com uma elevada taxa de açúcar, até fui uma moçoila moderada.
Já no que toca a exercício não aconteceu com tanta frequência como se previa... Quando uma coisa tem de ser feita por obrigação, todas as desculpas servem para que não aconteça. A malta fit que me perdoe, mas continuo a não sentir aquela "fit vibe" de "isto-é-tão-bom-que-já-não-consigo-viver-sem-isto"! Como diria a minha irmã, isto DÓI, aborrece-me de morte e há tantas coisas interessantes que eu poderia estar a fazer naquela hora em que estou a arfar que nem a Joy à janela do carro (e sim, vegetar é uma delas). Mas enfim... visto que as células gordurosas se alapam a mim que nem ventosas, tenho de o fazer. E, embora tenha sido fraco o rendimento nas últimas semanas, tenciono continuar nesta tortura até sentir as tais "vibes" de que tanto falam. Ou até destruir as células alapadoras...
Vida
O melhor até agora
(mais andando do que a correr...como o Armando)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Uma Forma de Amar na Cozinha da Marta

Foi há cerca de 6 meses que ouvi falar do livro da Marta Varatojo e, relembrando os tempos de faculdade em que era frequentadora assídua do refeitório macrobiótico, decidi aventurar-me nesta leitura e compreender um pouco melhor o conceito que lhe serve de tema.


Não fiquei arrependida, pois este não pretende ser mais um livro de receitas. Há toda uma contextualização da macrobiótica, que ao contrário do que alguns pensam não é sinónimo de agora-só-como-vegetais. É um estilo de vida que vai muito além de uma dieta alimentar. Gostei particularmente de compreender a sua ligação com os princípios orientais de Yin e Yang - desconhecia tal relação, confesso! 

Cozinha

De facto, são várias as aprendizagens que podemos fazer ao longo do livro, mesmo sem qualquer pretensão de mudar radicalmente a forma como nos alimentamos. Nos últimos 6 meses, aos poucos, fui introduzindo algumas alterações na minha alimentação, inspiradas nesta cozinha da Marta (e não só), e os resultados refletem uma sensação genuína de bem-estar. Longe de me considerar uma persona macrobiótica, penso que é conhecendo os alimentos e aquilo que nos podem trazer (de bom e mau) que conseguimos gerir a nossa alimentação da melhor forma.

E, às vezes, pequeninas mudanças fazem toda a diferença.

sábado, 9 de setembro de 2017

Morte Anunciada, Verão e um Recomeço | #semanaemrevista 23 a 36

|MORTE ANUNCIADA|
E quando todos pensavam que a rubrica tinha morrido, ela ressuscita que nem Jon Snow-Stark-Targaryen.

Na verdade, pensei em não dar continuidade a esta rubrica. A dada altura senti que não havia nada de interessante para contar. Poderia ainda acrescentar que não tive tempo, como tantas vezes costumamos dizer, pois o trabalho em final de ano letivo ocupa-nos grande parte dos dias. Corrijo: não estava a fazer a melhor gestão do tempo e estava cansada. Por isso, avançar com esta rubrica só porque sim não fazia sentido para mim.

Recomeço
Photo: missgetaway.com
Assim, dei como morta a rubrica.

Mas o Verão chegou. E, com ele, a renovação.
Agora faz sentido, por isso a rubrica ressuscitou.

|VERÃO|
Pela primeira vez, as férias fizeram-se em casa.

Estava previsto: abdicar temporariamente das nossas viagens [lágrimas] para nos dedicarmos em exclusivo à nova casa. Foi um ano de muitas obras e as férias de verão não foram exceção. Só que em versão light: a perfeita combinação entre uma hora de aparafusadora e uma hora de banhos de sol. E as coisas foram acontecendo sem pressas e ao som dos passarinhos.

Fisicamente, o descanso não reinou, mas a mente agradeceu imenso estes dias. O botão do trabalho foi desligado com autorização para só voltar a ligar em setembro. E, aos poucos, deu-se o despertar de tantas coisas.

Recomeço
O meu Dolce Fare Niente (agora furado)
Namorei a minha cozinha e armei-me em Masterchef. Fui ao cinema a meio da tarde e vi um filme de terror (continuo a odiar). Comi gelados e bebi imperiais. Dei mergulhos (muitos) e joguei ao Mata (poucas vezes, sobrevivi). Bebi café no alpendre e cusquei as notícias cor de rosa. Experimentei novos alimentos e aprendi a gostar de abacate. Fiz tranças e raramente me maquilhei. Tirei fotografias e partilhei. Não usei relógio e tentei adivinhar as horas pelo sol (não falhei por muito). Calcei ténis e chinelos e andei descalça. Recebi pessoas até à noitinha e aceitei convites inesperados (aqui). Dancei, pulei e ri às gargalhadas (dentro e fora de água). Comi caracois e fui ao mercado bem cedinho. Li muito e aprendi coisas novas.

Nem todos os dias foram coloridos, mas fui feliz.

|RECOMEÇO|
O melhor deste verão foi ter tido tempo (corrijo: "aproveitado o tempo") para pensar na vida que levamos. Horários, correrias, stress, ansiedade. Depois: o cansaço, a má alimentação, os vícios, o sedentarismo. Resultado: ficamos surpreendidos quando percebemos o tempo que já passou de um acontecimento a outro; olhamos para o espelho e até nos apetece dar os pêsames ao nosso reflexo; sentimos que a vida está a passar tão rápido que não "temos" tempo para fazer tanta coisa que gostaríamos. E adiamos tudo novamente.

Não há nenhuma receita milagrosa para combater este problema. Na verdade, o tempo foi uma criação do Homem, que ironicamente decidiu estar sempre a desafiar. O que realmente está a passar por nós é a vida. Será que precisamos esperar pelas férias para fazermos as coisas que tanto gostamos?!

E foi esta questão que me fez tomar algumas decisões em jeito de "Resoluções de Ano Novo" (Setembro sempre foi o meu primeiro Janeiro)!
  • Estabelecer prioridades: tudo começa aqui. Nem tudo tem de ser para ontem, porque o hoje vai estar saturado, a pensar num amanhã que não é de ninguém. O que realmente é importante fazer agora? Começamos por aqui, então...
  • Alimentação: saudável, sempre que possível. Não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que altero a alimentação na tentativa de me ver livre dos excessos. Que é como quem diz, das gordurices que se alapam a nós que nem mexilhões horripilentos. Já perdi a conta a tantas leituras sobre alimentos e regimes alimentares. Não sei se é desta. Só sei que estou a fazer por isso e o caminho vai ser longo...
  • Exercício: a mais difícil de todas. Comecei, de facto, a fazer exercício. Agora poderia dizer-vos que me sinto muito mais focada, descontraída, em paz com o mundo e já não vivo sem o meu exercício. Mentira! Na verdade, o que sinto é DOR! Nos bracinhos, nos abs (não se veem, mas dizer "barriga" é foleiro), nas perninhas, nas badanas do rabo... meus amigos, TODA EU SOU DOR! E agora poderia dizer-vos que é sinal de que o corpo está a mudar e a agradecer o meu esforço e um blablabla super motivacional. Mas eu preferia mesmo era estar sossegadinha no sofá, a ver uma série, enquanto estas mudanças se davam de forma mágica! Verdade seja dita: não faço isto de boa vontade, já pensei em desistir milhentas vezes e começo a pensar que se calhar até viveria muito feliz com os meus mexilhões! Enquanto houver uma réstia de energia mental (porque a física já se foi), vou dando ao canelo, pois (ainda) acredito que lá no fundo vou encontrar uma sensação de bem-estar qualquer que não me assiste para já...
Recomeço
Nada como um corte de cabelo para recomeçar...
Partilho, assim, estas resoluções com o intuito de as tornar um compromisso. Uma estratégia para não falhar como tantas outras vezes, porque no que toca a tentativas sou uma pro!

Aliás, esta é mais uma tentativa e, embora a probabilidade de não ter sucesso seja enorme, resta insistir.
Será desta?!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

É verdade: fui ver uma tourada.

Embora seja uma vila com uma zona ribeirinha fantástica, de olhos postos no Tejo, as minhas poucas visitas a Alcochete têm tido como alvo as famosas (e maravilhosas) fogaças ou o Freeport, aquele gigante abandonado, mas apinhado de turistas.

No mês passado decorreram as muito conhecidas Festas do Barrete Verde e das Salinas. Nunca fui frequentadora destas festas, mas este ano tive um convite para ir assistir à Corrida de Toiros prevista para o último dia. A minha expressão imediata denunciou o desagrado, mas realmente nunca tinha assistido a nenhuma. Este facto não invalidava a minha opinião de que se trata de uma atividade brutal e primitiva. Ainda assim, aceitei na expetativa de compreender (pelo menos, um bocadinho) o encanto da coisa.

verdade
Nota: levar calçado adequado a toneladas de areia...
Importa referir que o meu conhecimento na área da tauromaquia é nulo, por isso perdoem-me os entendidos por alguns episódios de ignorância.

Começámos logo bem, quando nos dirigimos para a Praça de Touros em cima da hora do início. O "espetáculo" começou e nós tentávamos entrar, enfiados numa fila enorme, de onde se ouviam alguns protestos contra a organização. Pelo que percebi, perdemos uma parte muito gira que acontece no início (as cortesias?). Quando entrámos, embora houvesse lugares marcados, não conseguimos chegar até estes, pois as escadas de acesso estavam entupidas de gente. Restou-nos assistir também nas escadas em modo "sardinha enlatada" até ao intervalo. A segunda parte foi um pouco mais cómoda.

verdade
Quase, quase em modo "sardinha enlatada"
Ora...e o que gostei deste espetáculo, perguntam vocês?!
Gostei da companhia. Gostei dos trajes dos cavaleiros e forcados (nada como uma boa recriação histórica). Gostei do ambiente animado nas ruas. Gostei da vista sobre o Tejo. E basicamente foi isso. Ah! E gostei da parte em que os cavaleiros desfilam pela praça apanhando os pertences que voam do público, devolvendo-os após um beijo. Na verdade, para verem a minha nulidade de entendimento, a primeira vez que aconteceu, pensei que alguém deixara cair o lenço e o cavaleiro apenas tinha sido um simpático em apanhar. Depois é que percebi o ritual. E claro que me imaginei logo a atirar umas meias mal cheirosas ou uma fralda já usada para ver se o entusiasmo era o mesmo... Adiante...

verdade
Ora aqui está a devolução do pertence
em jeito de "não é o meu tamanho, toma lá!"
verdade
Os protagonistas na arena
Não gostei (como previa) do sofrimento dos animais. Touros que são colocados em arena apenas para serem desafiados e massacrados. Cavalos que são treinados para desafiar touros, correndo o risco de levar uma cornada.

A tauromaquia é definida como a "arte de lidar touros bravos", como se fosse uma espécie de chá das cinco entre Nelson Mandela e Kim Jong-un. Para mim, é apenas uma atividade, entre tantas que já existiram ao longo da História, onde o Homem tenta demonstrar ser superior ao animal feroz, enquanto o brutaliza até à morte (muitas vezes, num confronto desigual). Em Portugal, "felizmente", ficamo-nos pelo sofrimento.

Compreendo a importância das tradições e até defendo que devam existir pelo bem da individualidade que caracteriza as diferentes gentes. Mas, a par da evolução destas gentes, também as tradições evoluem. Se assim não fosse, continuávamos a vibrar com o sangue dos gladiadores romanos, a queimar bruxas na fogueira, a aplaudir mortes ao vivo em praça pública ou a fazer sacrifícios animais (e não só) em prol dos deuses.

Continuo sem compreender as touradas.

verdade
Depois admiram-se...
verdade
E agora sem o paninho?!

sábado, 2 de setembro de 2017

Vamos às Compras?! #17

Embora seja altura de regressar à rotina profissional, o verão ainda não fez as malas.
Por isso, há que aproveitar os dias que restam ao tom bronzeado e ser sol neste recomeço.



(clica nas imagens para mais detalhes)

| Relógio Komono | Vestido Pepe Jeans | Óculos de Sol Komono | Caderno Kate Spade |
| Lip Gloss Urban Decay | Botins Prof | Mochila SixtySeven | Canecas La Redoute

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O prazer não se complica

Eu sei que ainda vos devo o final da minha aventura em Óbidos, mas série medieval que se preze gosta de um bom suspense. Claro que não vos vou deixar pendurados um ano (ou até 2019!), porque prezo a vossa saúde, por isso muito em breve teremos o desfecho.

Entretanto, há que partilhar convosco uma surpresa muito especial que me bateu à porta ontem. Estava eu nas minhas andanças, a dar as boas-vindas às vindimas, quando fui surpreendida com uma encomenda muito especial...

ano

Pois é! O vinho Planura lembrou-se dos nossos festejos por terras medievais e decidiu brindar-nos com uma mensagem  (e um sabor) muito especial. É ou não é o máximo?! Mais uma vez, lá brindámos nós aos 13 anos, porque de facto #oprazernaosecomplica. Adorei a mensagem super personalizada e, acima de tudo, a atenção!

ano

Confesso que não conhecia o vinho e fiquei agradavelmente surpreendida. Para quem não sabe, o vinho Planura foi lançado em 2003, pela Unicer, que é só assim a maior empresa portuguesa de bebidas, com mais de um século e "mãe" da Super Bock (a minha cerveja de eleição).

Podia agora dizer-vos que este tinto resulta (aplica-se?) das castas Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet, mas como não percebo nada desta parte técnica fico-me pelo que sei: é alentejano e é muito bom! Além disso, adoro o pormenor do espaço existente no rótulo para deixar uma mensagem. Um excelente presente para alguém ou simplesmente para celebrar uma data especial.

A nossa, agora vazia, fica guardada para a posteridade.
#mrandmrsJ agradecem!

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Pontapé na Língua #2

Há muito tempo atrás, no País dos Sons, o rei e a rainha tiveram cinco filhos, conhecidos por Vogais Reais. Muito cedo, explicaram-lhes que o seu papel era muito importante no reino, pois tinham como função manter a ligação entre todas as letras do povo. E assim fizeram.
Certo dia, encontraram os irmãos C e Ç e rapidamente perceberam como eram diferentes. O primeiro, mais velho, tinha um som oco e seco, muito parecido (embora menos forte) ao do velho Q; o segundo tinha nascido com as hemorroidas de fora e, por isso, soprava como o seu primo, o S. Ambos foram calorosamente acolhidos pelas Vogais Reais, à exceção do E e do I, conhecidos pela sua altivez e presunção. Nem pensar serem vistos com uma letra com as hemorroidas de fora!
- Mas todos os sons são necessários ao reino! - lembrou o A, o príncipe mais velho.
- O que tem as hemorroidas no lugar pode fazer o papel do irmão e soprar sempre que estiver perto de nós. - respondeu o E.
- Além disso, já temos o Q para os sons fortes e ocos, sem nos pregar um ataque cardíaco, graças ao mano U. - completou o I.
E assim ficou.
Numa terra de sons, onde a desigualdade também existe, o C passou a soprar sempre junto do E e do I, que nunca aceitaram o seu irmão mais novo com problemas de hemorroidas, o Ç.

Ontem recebi, como é habitual, um e-mail com as novidades da Lonchamp, que é só uma daquelas marcas que habitam na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Fiquei sensibilizada com a sua iniciativa na luta pela desigualdade, querendo fazer do E um príncipe honrado e justo. Só que não.
De facto, em "começar" a coisa corre bem, pois o A é o irmão Gandhi das vogais, mas o E manda informar que continua a recusar-se posar junto de letras com as hemorroidas de fora.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Festas para Adolescentes ou Tutorial dos Pais Fixes

Festas

Quem acompanha o Insta Stories sabe que houve festa de arromba por aqui no passado fim de semana. E quando eu digo "de arromba", estou mesmo a falar a sério: fiquei arrombada de todo!!!

A loira mais nova fez 14 anos e, mais uma vez, esforços se uniram para preparar aquela que é considerada a Festa do Ano.  E quem pensa que a tarefa é mais fácil à medida que eles crescem, DESENGANE-SE! Este é o grande momento do tudo ou nada, em que a mais leve escorregadela tira-nos do banco dos PAIS FIXES e arrasta-nos para o banco mais temido de todos: o dos PAIS COTAS.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Pontapé na Língua #1

Já era de prever que esta rubrica (sem acento!) chegaria aqui ao blog mais dia, menos dia.
Um pouco por todo o país a nossa língua é tratada ao pontapé, por falta de conhecimento ou simplesmente por desleixo. Este cenário agrava-se quando os protagonistas são os que têm uma responsabilidade acrescida no cuidado com a língua portuguesa, pois comunicam para as massas, como é o caso dos media e das figuras públicas.

Se a "língua é o espelho de uma nação" (Friedrich Schiller), Portugal está a precisar de muitos curativos... 

Língua
Foto: Observador
Facilmente se compreende que este título sofreu um lapso acidental de algo que é só a coisa mais importante numa frase: o verbo. Até aqui não há caso para grande alarido. O problema é que durante 1 hora, pelo menos, ninguém do Observador reparou que faltava ali qualquer coisa...

A não ser que isto seja uma espécie de passatempo de verão do género "Complete os nossos títulos - Se fosse GNR, o que faria a uma mulher suspeita de fogo posto?!":
"Mulher espancada pela GNR por suspeita de fogo posto"  
"Mulher abatida pela GNR por suspeita de fogo posto" 
"Mulher torturada pela GNR por suspeita de fogo posto" 
(...)
Só espero que a senhora seja isenta de culpa; caso contrário voto em "queimada".

[atualização 21/08, 14h13: o lapso foi retificado]
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